Botoes



16.4.14

Eles conhecem-nos


Sentada na tampa da sanita, à espera que o G. faça alguma coisa no seu bacio. 
Diz-me, entretanto.

- " Mãe, o ca foi? Tás tiste?

Não são precisas palavras, nem gestos, só expressões. Os filhos também conhecem as mães. Não são só as mães a conhecer os filhos. Gostava de ter visto a minha cara ao espelho neste preciso momento. 
 

Time



[ Imagens tiradas da net] 


Continuo à espera das vossas fotografias para o April Board.
Vá lá, inspirem-se!

Uretrocistografia | continuação


Depois de me sentir receosa, decidi que o A. iria fazer este exame tal como prescrito. Antes de entrarmos, pedi ao médico para me explicar muito bem o que iria acontecer e como.
O médico tranquilizou-me imenso, afinal disse-me que já fazia isto há [trinta] anos e que é um exame muito mais fácil de se fazer, quando se é pequenino.
O A. chorou um bocado quando lhe puseram a sonda pela pilinha, mas nada de mais. Aplicaram-lhe somente um gel com efeito anestesiante.
Saí de lá mais tranquila. O médico disse que ainda iria fazer o relatório, mas que está tudo normal.

Depois disso, o A. dormiu duas horas seguidas.


[ Agradeço muito, todos os vossos comentários no post anterior. Vocês são sempre muito para mim. ]

13.4.14

Uretocistrografia


O A. esteve internado no hospital, com três meses de idade devido a uma infeção urinária.
O pediatra que o segue no hospital prescreveu ao A. fazer uma uretrocistografia. 
O A. fez há uma semana uma ecografia aos rins prescrita pela pediatra dele. A pediatra disse que se a ecografia estivesse bem que não havia necessidade de fazer a uretocistografia. 

O médico que fez a ecografia disse que um exame não tem nada a ver com o outro. Ainda que com a ecografia estivesse tudo bem, que aconselhava a fazer o outro exame.
Na ecografia está tudo bem. Voltei entretanto a falar com o pediatra que o segue no hospital e o mesmo continua a dizer-me para fazer o tal exame.  

A uretrocistografia está marcada para esta terça-feira e eu estou aqui num dilema mais que existencial, se vou ou não com A. fazer este exame. 

Algum dos vossos bebés já fez este exame?  Alguém que possa tranquilizar-me [ou não] este coração de mãe.

Os caracóis



São 20h30 de sábado à noite. Tenho os pés doridos e as pernas cansadas. Os miúdos já jantaram. 
Sento-me numa das cadeiras pequenas dos rapazes, enquanto como uma taça de morangos com iogurte.
Junto a mim estão os meus bebés. O A. metido na aranha espeta o dedo no umbigo do G. e riem-se os dois.
As gargalhadas do G. fazem saltar-lhe os caracóis como molas de um divã. 

O meu cansaço físico mistura-se com a ternura do momento, mas sinto o coração amolecido com risos de crianças bem dispostas. 
Fico a olhar para os bonitos caracóis do meu filho do meio. Penso. Adoro-lhe de paixão os seus caracóis, porque combinam com ele na perfeição.

8.4.14

O comboio


Há bastante tempo que não andava de comboio. Ontem foi preciso e por isso foi o dia.
Percebi que ainda gosto muito de comboios. Uma viagem de comboio seja ela longa ou curta, como ou sem paragens, dá-me sempre tempo para os pensamentos mais meus. 

Pela janela, vi em nuvens um gato num tapete e formas de dinossauros. O pensamento andou para a frente e para trás como num jogo de ping pong. Lembrei-me das muitas vezes que ia à praia de comboio. Lembrei-me de quando andava de comboio para ir ver o meu amigo que gostava de índios. Gosto de me lembrar destes momentos bons. 

À velocidade da luz, assim é o pensamento. Assim é a vida em constante mudança. Nem sempre para melhor, nem sempre para pior. O que temos hoje, não temos amanhã e vice-versa. Há que aproveitar os momentos sorridentes e recordá-los, nem que seja numa simples viagem de comboio.


[ E por falar em Tempo, vou esperando pelas vossas fotografias para o April Board. ]

[Imagens tiradas da net]

6.4.14

As Noites e os Domingos


O A. é o meu terceiro filho. O A. é o mais calmo dos três. O A. é o que me tem dado piores noites. 
Há quase 10 meses que não tenho noites de sono. Se tiver noites de quatro horas seguidas, eu já fico contente.
O A. é o meu terceiro filho e não gosta de chucha. O A. é o meu filho caçula e ainda mama.

O A. tem um ritmo de sono diferente dos irmãos. O A. dorme à noite como se dormisse sestas durante o dia. E eu vou desesperando com isto. Dorme uma, duas horas e acorda. Depois de oferecer as mamas e o biberon, não é fome. Depois de lhe dar benuron, não são dores. Mas tudo permanece igual.

De há uma semana para cá, tenho de o embalar ao colo para dormir. E só pode estar em pé, senão berra. Deito-o na cama, acorda e berra. A cama dele e a minha passaram a ter picos. E a mim parece-me inacreditável, mas as poucas horas que tem dormido de noite vão sendo alternadas entre a cama e o carrinho. Sendo um terceiro filho, isto parece-me completamente bizarro. Talvez seja um pico de crescimento, ou uma fase qualquer parva, mas para meu bem espero que passe rápido.

Depois chega o Domingo. E aos Domingos tenho sempre a sensação que me passou um camião por cima.
Há uns dias disseram-me que pareço uma morta viva. A verdade é que eu não pareço - eu sinto que já sou.